Curso de Gestantes



Universo de barrigudinhas, com mini seres humanozinhos esperando pra vir pro lado de cá. Se tiverem a oportunidade de ir a um Curso de Gestantes, recomendo: é um lugar divertido de se estar.

Na sala havia um outro Murilo esperando pra chegar aqui. Contudo, único mesmo, só você (desculpa, é corujice). Ana parecia emocionada, mas bem atenta, durante todo o tempo em que lá estivemos. Eu intercalava a minha atenção com alguns rabiscos que dariam origem a esse texto.

A primeira palestra, sobre aleitamento materno, acho que foi particularmente forte pra ela: mostraram fotos de bebês, de mães olhando bebês, de bebês mamando de todos os jeitos... e, pronto, ela pode negar o quanto quiser, mas eu vi os olhos dela marejarem. Esses mesmos olhos também ficaram marejados quando falaram algo sobre o vácuo que o bebê faz quando é convidado a se retirar do seio. Parece até que faz um "ploc". 

Claro, nesse último caso o motivo do marejamento, acho eu, foi algo completamente diferente, mas igualmente legítimo: o medo.

Onde, afinal de contas, vivem os monstros?

Bebês podem ser uma dádiva, mas também podem colocar um monte de coisas nas nossas cabeças, especialmente nas de quem os carrega: nossas esposas, mães, namoradas, ficantes, sem escala de prioridade, ficam com o fardo e, quero imaginar, a alegria de carregar uma nova vida por semanas a fio. 

Nesse tempo (sou testemunha!), muita coisa passou e passa pela cabeça da Ana. A mudança corporal, que começou discreta, teve sua primeira grande manifestação a partir de um ódio declarado ao pobre alho. Depois, tomou outras formas, passando por um desejo de Chicabon, e por dúvidas cruéis sobre o que vestir. E, enfim, nas últimas semanas, transformou-se em algo bem intenso, formou barriga, deu força pro guri, dor nas costas e muito, muito Nesfit. 

Além disso, estamos também em plena montanha-russa das emoções. Não, isso não é uma nova atração do Walt Disney, é a mais pura realidade. É um assunto delicado. Mulheres mudam, são as mesmas de antes e também não são. A Ana adquiriu gostos e complexidades extremas pra minha cabecinha masculina. Companheiros, admito, em alguns momentos essas transformações, muito pelo seu caráter de inexplicável, podem nos deixar muito irritados e tristes. Às vezes dá pra conversar, às vezes, simplesmente, não tem diálogo que se sustente.

Medo do futuro, medo de ser mãe, medo de como é ter uma família, medo da transformação, dessa passagem do indivíduo pra algo além dele, eu só consigo imaginar QUE mudança vai ser pra ela. Pais evidentemente sofrem desses temores, mas de uma forma bem menos visceral. Gente, não tem nenhum bichinho chutando a minha barriga. Murilo vai ser, durante muito tempo, praticamente uma extensão da Ana. Um anjinho faminto, um diabinho brincalhão, um príncipe-sapo, um ser em desenvolvimento que vai transformar a vida dela e a minha.

Nesse momento, talvez a minha grande dúvida seja sobre o ritmo que Murilo colocará nas nossas vidas. De toda forma, eu, como bom otimista, acho que todo o esforço vai ser compensado pelo prazer de observá-lo e ajudá-lo a lidar com o mundo e com os seus próprios medos. Eu tenho os meus. E desculpa, Ana, se eu às vezes não consigo entender os seus. O importante é que eu vou sempre estar por aqui pra te ajudar também.


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