MVD 2008
Nossa primeira viagem internacional foi para Montevidéu, em 2008.
E andamos por tudo. Aliás, esse é o acerto equivocado mais correto que fazemos em TODAS as nossas viagens: andamos feito camelos. Talvez uma média de 10km por dia, fora os ônibus, em um padrão muito bacana, e que até hoje não foi alcançado em qualquer ida minha ou da Ana à academia.
Já havíamos viajado antes. Foi com a Ana que eu conheci Florianópolis. E foi comigo que Ana conheceu o Rio de Janeiro. Compartilhamos, ainda, alguns delírios, como conhecer as Maldivas, Lajeado e Sananduva. Desses três, amamos os dois últimos, e desistimos do primeiro.
No entanto, como ia dizendo, foi o Uruguai o nosso primeiro destino além-Brasil. A primeira viagem dessa natureza sem pais, irmãos etc. Grande oportunidade, aliás, pra começar a ver o mundo com uma perspectiva diferente, de casal.
Fomos, paramos no Chuy no meio da madrugada e chegamos em Montevidéu numa manhã meio fria. E lá estávamos, finalmente, em outro país. Com outra bandeira. Com outras cores. Com o vento do Rio da Prata. Os dois sob o Sol de Mayo.
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| Sol de Maio da bandeira do Uruguai. Ou, também, "Carinha Sapeca". |
O motivo da viagem tinha sido simples: comida. Éramos dois franguinhos esfomeados e interessados em aprimorar o nosso espanhol pela via gastronômica. Ana era a rainha das medialunas, e, eu, senhor dos chinchulines.
A emoção com a culinária uruguaia era tanta que ela nos levou a pelo menos dois acessos de choro. Um no Mercado do Porto, que levou a uma DR regada a vinho e assado. E outro, narrado pela Ana, depois de um desayuno mágico, porém solitário, num café decadente do centro da cidade, logo depois de eu haver ido embora. Aliás, aquele lá era o café decadente mais legal do centro da cidade.
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| Franguinhos chorões comendo carne. Temos. |
Nos apaixonamos pelas árvores, pela luz, pelo Rio da Prata e pelos velhinhos dançando tango numa praça. Ao mesmo tempo, sentíamos o abraço caloroso das milanesas e dos choripans, que, parecendo seres humanos, vinham nos cumprimentar pelas esquinas. A gente tratava bem o Uruguai, e o Uruguai cuidava da gente como se fôssemos torcedores da Celeste.
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| Músico local tocando "Despacito". |
E andamos por tudo. Aliás, esse é o acerto equivocado mais correto que fazemos em TODAS as nossas viagens: andamos feito camelos. Talvez uma média de 10km por dia, fora os ônibus, em um padrão muito bacana, e que até hoje não foi alcançado em qualquer ida minha ou da Ana à academia.
E que caminhadas insanas. Nelas, víamos pessoas muito malucas, que eu recordo até hoje. Aliás, depois de 2008, fui umas outras duas vezes a Montevidéu, e todas as vezes me lembro da cena de um cara, em frente à Biblioteca Nacional, lendo, literalmente amarrado, à estátua de Cervantes.
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| Um bom escritor consegue prender seu leitor. |
De alguma forma, essa imagem, e essa primeira viagem, definiu muito dos itinerários longínquos que viríamos a fazer juntos anos depois. É como se tivéssemos começado a leitura de um romance de páginas infinitas, e que jamais conseguiríamos parar de ler. Afinal, sair por aí é também ficar preso à magia de fazer descobertas.
Enfim. Acho que desde essa viagem a MVD ficamos amarrados, e, nós dois, por sua vez, amarrados a algo que talvez jamais saibamos explicar. Rio da Prata e Sol de Mayo, respectivamente, correnteza e liberdade, sintetizam o que queremos um para o outro.
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| Uruguaios sendo uruguaios. |
Érico






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